O anticoncepcional e a artificialização do corpo da mulher

Imagine uma orquestra. Nesta orquestra há um maestro que rege os sons de todos os instrumentos. No nosso sistema hormonal, o maestro e grande controlador dos hormônios é o hipotálamo, uma região cerebral que identifica os estímulos internos e externos, e direciona as respostas corporais frente à estes estímulos. O hipotálamo se comunica com a pituitária (outra região cerebral) e a direciona, conforme necessário, para enviar mensagens (ou liberar outros hormônios), que irão atuar em órgãos e tecidos corporais, para responderem adequadamente aos estímulos que chegam. Assim, esse sistema controla diversas funções corporais, direciona respostas necessárias à sobrevivência, controla respostas de estresse, monitora a digestão, regula o ciclo do sono e regula também… a fertilidade da mulher.
 
A pílula anticoncepcional atua diretamente nesse sistema hormonal. Diferente de outros medicamentos que usamos para tratar determinadas doenças, a pílula é usada por mulheres SAUDÁVEIS, que diagnosticaram em si mesmas um “problema”: a sua fertilidade. Sabemos que hoje em dia a pílula anticoncepcional é utilizada para tratar alguns problemas de saúde, mas não foi para isso que ela foi idealizada. Ela foi idealizada para atuar diretamente nos níveis hormonais e inibir a fertilidade, que é uma característica biologicamente intrínseca das mulheres.
 
Podemos então nos perguntar: não é dito por aí que a pílula imita nossos próprios hormônios, e que, por isso, são seguras? Não é dito também que a supressão do ciclo menstrual é mais cômoda para as mulheres do que ter o ciclo fisiológico ocorrendo mensalmente, com oscilações hormonais e o “problema” da fertilidade? Não é dito que a pílula pode nos salvar de diversas doenças graves, como câncer no ovário?
 
Sim, é dito.
 
Quando a pílula anticoncepcional foi inicialmente proposta, os médicos diziam que ela era segura. O tempo foi passando e foi-se percebendo que isso não era totalmente verdadeiro. Hoje em dia é dito que aquelas pílulas iniciais, de altas concentrações de hormônios, não eram seguras, mas que as formulações atuais são, e muito. A literatura chega a afirmar que é mais seguro para a saúde da mulher usar um método contraceptivo do que não usar (2).
 
Todas essas informações sobre as vantagens de se utilizar pílula anticoncepcional são amplamente divulgadas na mídia e ditas pelos profissionais de saúde. Mas a realidade não é assim tão bela quanto o discurso. Por exemplo, mesmo que os contraceptivos atuais apresentem uma dose muito menor de hormônios, comparada com as pílulas inicialmente propostas, a concentração hormonal disponível no nosso organismo através da pílula é mais alta do que os nossos níveis naturais de hormônios (3). Sendo assim, a pílula tenta imitar as características hormonais fisiológicas, mas acaba gerando um estado hormonal artificial. Isso porque estes hormônios presentes na pílula precisam alterar significativamente o balanço hormonal natural para impedirem a fertilidade de maneira eficaz. Assim, a pílula mascara nossa saúde reprodutiva ou até mesmo algum problema de saúde.
 
Outro fato bastante artificial é sugerir que o ciclo fértil é incômodo e problemático para as mulheres. A pílula anticoncepcional criou uma cultura contraceptiva: a cultura na qual as mulheres acham normal ficar temporariamente infértil e, por causa do uso da pílula, acabam por desconhecer o funcionamento e as características peculiares do próprio corpo. Essa cultura contraceptiva fez com que acreditássemos que é mais normal uma mulher usar a pílula do que não usar. Sem deixar claro todos os possíveis riscos, fez com que acreditássemos no efeito “natural” da pílula.
 
De fato, as desvantagens do uso da pílula não são tão divulgadas quanto as possíveis vantagens.
 
Com o amplo uso da pílula ao longo de gerações, vemos a ocorrência de efeitos colaterais específicos. Muitas mulheres que usaram a pílula por anos, passam por dificuldades para engravidar. O link entre dificuldades para engravidar e o uso prévio da pílula surgiu em um estudo feito na Inglaterra com quase 3000 mulheres. Usuárias prévias de pílula demoraram duas vezes mais o tempo para conseguirem engravidar, comparadas com as mulheres que utilizavam preservativo. Quanto mais tempo de uso da pílula, mais tempo para conseguir conceber um bebê após interrupção do uso. Eles observaram um efeito semelhante aos observados com os antigos anticoncepcionais de altas doses de hormônios e sugeriram que o efeito residual da pílula na fertilidade poderia ser independente da quantidade de hormônios utilizada na pílula. Esse efeito de atraso de concepção, comparado com o uso de preservativo, foi ainda mais evidente em mulheres mais velhas, ou com maior peso corporal, ou com distúrbios menstruais (4).
 
Muitos estudos têm mostrado o aumento no risco de desenvolvimento de câncer de mama com o uso de anticoncepcionais (5,6). O uso de contraceptivos orais também tem sido associado com um risco aumentado de trombose e infarto miocárdico, com a magnitude do risco variando de acordo com as diferentes formulações (7). Risco de embolismo pulmonar também é associado ao uso da pílula (8). Outro ponto importante é o impacto na experiência sexual: estudos mostram que o uso da pílula reduz os níveis de testosterona – hormônio que regula o desejo sexual nas mulheres – e essa redução permanece até um ano após a interrupção do uso da pílula (9).
 
Algumas mulheres começam a observar efeitos adversos logo que iniciam o uso da pílula. Outras mulheres levam mais tempo para observar estes efeitos. Outras não apresentam nenhum sintoma. Ainda assim, a maioria delas continua tomando a pílula por anos, até mesmo por décadas. Todavia, muitas meninas começam a usar a pílula ainda muito jovens, sem ao menos conhecer o funcionamento do seu corpo. Isso pode prejudicar a identificação de algum problema ou efeito adverso da pílula. A vida dos homens também pode ser afetada: quadros de depressão, perda do desejo sexual e problemas crônicos de saúde causados na mulher pelo uso da pílula podem impactar seriamente alguns relacionamentos.
 
No momento do ciclo menstrual em que ocorre um aumento da liberação do estrogênio antes da ovulação, a atração da mulher pelo sexo masculino aumenta. Também os homens são capazes de detectar essa característica nas mulheres por causa da liberação dos chamados ferormônios. Os ferormônios femininos são substâncias químicas que criam algo como um “perfume” pessoal. Esse “perfume” afeta o comportamento e outras características da mulher, tornando-a mais atraente ao homem. No entanto, a pílula diminui a produção destes ferormônios (10). Há um estudo mostrando que homens acham as mulheres que estão usando a pílula menos atraentes do que aquelas que não a estão usando (11). Como se não bastasse, outro estudo mostrou que mulheres usando a pílula escolhem homens com características menos másculas para se relacionarem (12).
 
Voltando para as perguntas iniciais, podemos pensar que não tem nada de cômodo e natural no uso da pílula. Sim, as bulas alertam sobre os efeitos colaterais e riscos que elas podem causar. Sabemos que todos os medicamentos apresentam efeitos colaterais e riscos, mas a questão é: você realmente precisa correr estes riscos? Será que os “benefícios” que a pílula traz compensam os efeitos colaterais que elas podem causar?
 
Referências:
(1) Hawkins SM, Matzuk MM. 2008. The menstrual cycle: basic biology. Ann N Y Acad Sci.;1135:10-8.
(2) Shoupe D, Mishell DR. 2007. Oral Contraceptives. History, Pharmacology, Metabolic Effects, Side Effects, and Health Benefits. In: The Handbook of Contraception: A Guide for Practical Management. Springer Science & Business Media.
(3) Stanczyk FZ, Archer DF, Bhavnani BR. 2013. Ethinyl estradiol and 17β-estradiol in combined oral contraceptives: pharmacokinetics, pharmacodynamics and risk assessment. Contraception. Jun;87(6):706-27.
(4) Hassan MA1, Killick SR. 2004. Is previous use of hormonal contraception associated with a detrimental effect on subsequent fecundity? Hum Reprod. Feb;19(2):344-51.
(5) Beaber EF, Buist DS, Barlow WE, Malone KE, Reed SD, Li CI. 2014. Recent oral contraceptive use by formulation and breast cancer risk among women 20 to 49 years of age. Cancer Res. Aug 1;74(15):4078-89.
(6) Hunter DJ, Colditz GA, Hankinson SE, Malspeis S, Spiegelman D, Chen W, Stampfer MJ, Willett WC. 2010. Oral contraceptive use and breast cancer: a prospective study of young women. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2010 Oct;19(10):2496-502.
(7) Roach RE, Helmerhorst FM, Lijfering WM, Stijnen T, Algra A, Dekkers OM. 2015. Combined oral contraceptives: the risk of myocardial infarction and ischemic stroke. Cochrane Database Syst Rev. Aug 27;(8):CD011054.
(8) Parkin L, Skegg DC, Wilson M, Herbison GP, Paul C. 2000. Oral contraceptives and fatal pulmonary embolism. Lancet. Jun 17; 355 (9221): 2133-4.
(9) Wiegratz I, Kutschera E, Lee JH, Moore C, Mellinger U, Winkler UH, Kuhl H. 2003. Effect of four different oral contraceptives on various sex hormones and serum-binding globulins. Contraception. Jan;67(1):25-32.
(10) Waltman R, Tricomi V, Wilson GE Jr, Lewin AH, Goldberg NL, Chang MM. 1973. Volatile fatty acids in vaginal secretions: human pheromones? Lancet. Sep 1;2(7827):496.
(11) Geoffrey Miller, Joshua M. Tybur, Brent D. Jordan. 2007. Ovulatory cycle effects on tip earnings by lap dancers: economic evidence for human estrus? Evol. hum. behav. Nov 28 (6), 375–381.
(12) Little AC, Burriss RP, Petrie M, Jones BC, Roberts SC. 2013. Oral contraceptive use in women changes preferences for male facial masculinity and is associated with partner facial masculinity. Psychoneuroendocrinology. Sep;38(9):1777-85.

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1 comentário

  1. ANTICONCEPCIONAIS ABORTIVOS: UMA REALIDADE POUCO CONHECIDA!

    Pouquíssimos são os que sabem que quase todos os anticoncepcionais algumas vezes (ou quase sempre, dependendo do tipo), ao invés de impedir a concepção, deixam que ela ocorra e causam aborto do ser humano concebido, logo nos primeiros dias de sua vida. Como o aborto acontece durante os primeiros dias, ele é imperceptível: a mãe nem sequer fica sabendo que concebeu, nem tampouco que abortou, pois o embrião é ainda muito pequeno e a gravidez não é aparente.

    Hoje sabe-se (embora muitos não queiram admitir) que todo DIU, seja de cobre ou não, não impede a ovulação (amadurecimento do óvulo), mas é essencialmente abortivo.

    A pílula do dia seguinte (”contraceptivo” de emergência) raramente impede a concepção, mas provoca o sangramento do endométrio (tecido que reveste o útero) e consequentemente a morte (aborto) do ser humano concebido. O nome contraceptivo lhe é impróprio.

    Todas as outras pílulas, além de serem anticoncepcionais, são também abortivas. Elas são anovulatórias, isto é, impedem a ovulação. Entretanto, nem sempre elas conseguem impedir a ovulação, possibilitando assim, que haja a concepção. Porém, como a pílula provoca uma alteração no endométrio geralmente ele se torna impossibilitado de impedir a nidação (alojamento no útero do novo ser concebido), provocando então, o aborto. As pílulas de baixo teor hormonal são ainda mais abortivas, pois a dosagem hormonal necessária para provocar o aborto é menor que a necessária para impedir a ovulação.

    Também outros anticoncepcionais tais como a depo-provera (injeções), o norplant (implantes), podem provocar de forma semelhante, abortos imperceptíveis.

    Embora mais raro, também as cirurgias de esterilização feminina, se não forem praticadas após um parto, poderão causar aborto caso tenha havido concepção no mesmo dia ou poucos dias antes da cirurgia.

    Concluindo, um mesmo anticoncepcional pode atuar de três maneiras distintas: 1) impedindo a concepção 2) não impedindo a concepção mas provocando aborto 3) falhando na anticoncepção e também no aborto, quando então o casal se surpreende com um filho ”inesperado”.

    Estas horríveis realidades são desconhecidas porque são abafadas, são escondidas cuidadosamente e até mesmo negadas, pois se viessem a ser amplamente conhecidas, isto prejudicaria os que se beneficiam com os lucros gigantescos da indústria anticoncepcional, além de atrapalhar planos e empreendimentos de várias outras poderosas fundações ou organizações que visam ao controle de natalidade em âmbito mundial.

    Além disso, se cremos realmente que o dom da vida é dado por DEUS e que os pais devem ser apenas colaboradores, instrumentos dEle na transmissão da vida, devemos admitir que o uso de contraceptivos, pelo fato de tornarem o ato conjugal fechado à vida, podem impedir a concepção de um filho que DEUS quisesse dar ao casal. Obviamente o mesmo se pode dizer quanto à esterilização.

    A Igreja ensinou sempre a malícia intrínseca da contracepção mas permite o uso de métodos naturais de regulação da fertilidade quando há motivos justos para espaçar ou evitar a concepção, pois permitem espaçar os filhos sem fechar o ato conjugal ao dom da vida, respeitando assim, o dom da vida e sua transmissão, a fertilidade, a natureza e a saúde. O método Billings apresenta 99% de eficácia ao ano.

    Vários livros de planejamento familiar natural podem ser facilmente encontrados em livrarias tais como a Paulus, Paulinas, etc. Há também cursos ministrados pelo Centro Natural de Planejamento da Família – CENPLAFAM. Ver também http://www.cenplafam.com e http://www.woomb.org.

    Fontes de pesquisa:
    1- Pontifício Conselho para Agentes da Saúde.: Carta aos agentes de saude.
    2- Pontifício Conselho para as Famílias.: Evoluções Demográficas.
    3- França, Genival Veloso.: Medicina Legal, 2a ed, pgs. 192-193. Ed. Guanabara Koogan, 1985.
    4- Billings, John.: O Dom Da Vida E Do Amor, pgs. 57-58. Ed Loyola, 1995.
    5- Na internet.: http:providafamilia.org (site da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família)

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