A revolução sexual americana (Pitirim Sorokin)

Texto baseado na aula da Prof. Ana Campagnolo no Canal Vlogoteca.

É comum nos perguntarmos por quê os relacionamentos não dão certo. Ou por quê é tão difícil encontrar uma boa pessoa para namorar. Nossos dias vivem costumes e comportamentos tão diferentes de tempos atrás, e essa diferença comportamental pode ser a causa dessa dificuldade na vivência dos relacionamentos.

No livro “A revolução sexual americana” de Pitirim Sorokim, escrito na década de 1950, o autor fala da sexualização gradual da população americana através da literatura, da música, do cinema, e de como isso impactou (e ainda impacta) os relacionamentos e as famílias.

Por exemplo, alguns séculos atrás só existia literatura religiosa. Depois, os livros foram se tornando mais seculares, mas ainda com alguma moral religiosa; ou seja, os pecados cometidos são considerados errados e trazem consequências. Até que em dado momento os escritores começam a enfatizar os pecados sexuais, de forma que logo já existiam livros muito promíscuos. Isso incutiu na cabeça das pessoas que estava tudo bem viver uma sexualidade desregrada.

O autor diz que isso também acontece na música: originalmente, as músicas eram predominantemente religiosas, e com o passar dos séculos vão perdendo essa característica. Até que em dado momento a música já não é mais religiosa, no entanto, ainda fala de bons valores, de amor, conta sobre a vida do camponês. Só que, ao longo do tempo, o amor vai deixando de ser o tema das músicas, até chegarmos no nosso tempo, no qual temos músicas que, despudoradamente, descrevem um ato sexual.

O sexo é assunto recorrente na imprensa. É comum vermos esse assunto em revistas e novelas, de maneira bastante explícita nas cenas. Quanto mais as pessoas se expõem ao sexo de maneira despudorada, desvirtualizada, como algo que não tem valor, mais acham que é normal viver uma sexualidade desregrada, em meio a infidelidade ou na ausência de um compromisso sério. E os veículos de comunicação cumprem esse papel de normalizar o sexo vivenciado de maneira despudorada e imoral.

O autor do livro também diz que a hiperssexualização faz com que as pessoas não estejam mais prontas para casar, além de favorecer nas pessoas um egoísmo inflado, uma incapacidade de suportar os defeitos do companheiro, uma carência de genuíno amor e dificuldade de perdoar. A liberação sexual aumenta a incapacidade dos jovens de manterem relações a longo prazo, de compreenderem seus cônjuges, de perdoarem.

O autor cita que 65% dos homens se casava virgem em 1890; e essa porcentagem caiu para 18% em homens nascidos em 1910, e naquela época que ele escreveu o livro (década de 1950), ele ponderava que dentro de algumas gerações, essa virtude (a virgindade pré-matrimonial) se tornaria um mito do passado.

Alguma semelhança com os nossos dias?

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