A pílula anticoncepcional e os abortos ocultos

A pílula anticoncepcional atua, basicamente, por três mecanismos:

  1. Inibição da ovulação
  2. Interferência com a produção de muco produzido pelo colo do útero
  3. Interferência com a implantação do embrião no endométrio

Veja essa explicação em vídeo:

No primeiro mecanismo, a pílula possui alguns hormônios que “imitam” os hormônios produzidos pelo corpo da mulher. Uma vez que a mulher ingere todo dia uma pílula, esses hormônios da pílula “enganam” o corpo dela, fazendo com que seu próprio corpo não produza seus próprios hormônios, que fariam a maturação dos folículos e liberação do óvulo. É desta forma que a pílula inibe a ovulação.

No segundo mecanismo, já que não temos maturação dos folículos, não temos também a produção do hormônio que é produzido pelos folículos enquanto eles maturam – o estrogênio -, e que é responsável por estimular o colo do útero a produzir o muco fértil. O muco permanece mais viscoso e menos fluido, dificultando a passagem dos espermatozóides e diminuindo seu tempo de vida (uma vez que, na presença do muco fértil, os espermatozóides vivem por mais tempo – em geral, 3 dias, podendo viver até 5 – e conseguem se movimentar facilmente através do sistema reprodutor da mulher). Essa alteração do muco dificulta a chegada dos espermatozóides até as trompas, que é onde acontece a fecundação. Na ausência do muco fértil, os espermatozóides vivem apenas poucas horas.

No terceiro mecanismo, a pílula interfere com o endométrio, que é uma camada muscular que fica no interior do útero. Em todo o ciclo da mulher, o endométrio naturalmente se prepara para receber um embrião. Esse endométrio fica, então, mais “fofo”, com mais sangue, mais células e mais nutrientes, tornando-se, assim, receptivo a um embrião que porventura venha a ser concebido, favorecendo o crescimento e desenvolvimento desse embrião. Quando ocorre a fecundação, o embrião é formado nas trompas, e ali, ele já começa a se desenvolver, enquanto “caminha” em direção ao útero, onde encontra o endométrio em seu estágio “fofo” – naturalmente pronto para recebê-lo – e se implanta ali, para continuar se desenvolvendo. Quando a mulher toma a pílula, os hormônios presentes na pílula interferem com o funcionamento do endométrio, fazendo com que ele fique cada vez mais fino.

Então, como que o aborto oculto acontece?

Pode acontecer que alguns mecanismos de ação da pílula falhem. Existem artigos científicos mostrando que, mesmo tomando a pílula, pode ocorrer maturação dos folículos e liberação de um óvulo (essa ovulação de escape depende do tipo de formulação, dose e regime de uso). Ocorrendo a ovulação, pode ocorrer a produção de muco fértil e isso permite que os espermatozóides alcancem este óvulo, e aí a fecundação acontece. Acontecendo a fecundação, já temos uma nova vida humana! É o que a ciência chama de “ovo” (que significa “óvulo fecundado”) Esse “ovo” já possui DNA próprio e todas as características genéticas que o definem como pessoa humana. Esse pequeno embrião “caminha” em direção ao útero, porém, lá ele encontra um endométrio que está muito fino, por conta da influência dos hormônios da pílula, e não consegue se implantar. Assim, essa nova vida humana morre e a mulher nem fica sabendo. Por isso se chama aborto oculto.

O termo “anticoncepcional” indica um fenômeno que acontece ANTES (anti) da concepção, por isso é chamado de efeito anticoncepcional. Porém, se a concepção já aconteceu e uma nova vida humana já se formou, essa nova vida não consegue se implantar no endométrio e é eliminada. Como podemos chamar de efeito anticoncepcional um efeito exercido em um momento em que a concepção já aconteceu? Todo mecanismo que interfere com uma vida intra-uterina já originada não é um mecanismo anticoncepcional, mas sim abortivo.

Infelizmente, a Faculdade Americana de Ginecologistas e Obstetras (International Federation of Gynecology and Obstetrics ou FIGO) alterou o conceito de gravidez, afirmando que esta inicia na implantação e não na fecundação. Desta forma, impedir a implantação, teoricamente, não é um aborto, considerando esse novo conceito. Por isso é tão comum vermos profissionais da saúde defendendo que estes métodos contraceptivos não causam aborto, porque consideram este novo conceito como válido. Porém, a embriologia é bastante clara ao definir o início da vida humana na concepção (leia meu texto sobre o início da vida para entender melhor).

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